Temquepensar


Conclusão sobre liberdade
novembro 17, 2010, 1:49 am
Arquivado em: José Fernando

Voltava sem saber o que estava realmente sentindo. Era um tipo de miscelânea de sentimentos, misto da dor da perda com a incerteza do que iria acontecer dali pra frente. Os momentos recém passados provocaram-lhe sensações das mais intensas, já antes vividas pelo coração não mais tão imaturo tal qual pensara. Sentia uma angustia inversamente proporcional àqueles momentos pelos quais passou ao lado dela, eternizados na memória.

Apesar de tudo, consciente do tamanho de sua alma, mantinha-se convicto de que tudo tinha valido a pena. Não duvidara nem por um instante que cada momento despendido, cada ansiosa e incerta batida do coração nos instantes que antecediam a presença do encontro, cada olhar peremptório de certeza de que não havia mais o que se fazer senão se entregar e esperar o tempo curar qualquer eventual mágoa existente, cada gesto de carinho entregue ao sentimento de intensidade sem fim que insistia em permanecer e crescer, enfim, que todos esses momentos não se constituíam em neblina fugidia, passível de ser dispersa por qualquer pequena brisa que naturalmente passa.

Mais tarde, acalentado pelos pensamentos posteriores, concluiu não haver culpa por amores desfeitos. Lembrou-se apenas das palavras do poeta, para quem a verdadeira liberdade surge no momento em que um homem encontra a mulher amada. Lembrou-se também de que para esse mesmo poeta, “o maior solitário é o que tem medo de amar”.

Certo da permanência desses princípios que regiam, regem e hão de reger o modo como irá se portar diante das enigmáticas situações que certamente viverá, mantinha-se firme na espera do reencontro com a verdadeira liberdade, afastando-se de vez da solidão que começava a sentir e que breve iria arrebatá-lo em tristeza.

Contudo, esqueceu-se da relatividade do conceito de liberdade, o qual encontra variações em cada pensamento.

Esqueceu-se, enfim, que muitas vezes a ansiedade na busca pela liberdade de um coração pode provocar a prisão do outro, despreparado para receber tanto sentimento…

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